Dólar a preço de banana - a próxima atração das lojas de R$1,99
Caro (já que o texto é econômico) leitor,
na coluna Dindim is Money deste mês, tentarei aproximá-lo do dólar. Aquela notinha verde, com a cara dos presidentes dos States, sabe? Que substituiu o ouro como lastro internacional depois de 1971, instituindo de vez a globalização imperialista amparada nos conceitos liberalistas (aiii).
Pois bem, na última terça-feira, conseguimos (?) um recorde na cotação do dólar: finalmente, a moeda estava abaixo dos 2 reais, fato que não se repetia desde janeiro de 2001. Desvalorização de um lado, valorização do outro: o Real forte retrata a realidade de um crescimento econômico em escala global, impulsionado, principalmente, pela China (talvez o texto da semana que vem). Mas não se animem, o crescimento de uma nação como o Brasil tem sido pífio e frustrante, mas deixa o Haiti, ops, o nosso país pra lá. (LEITOR, A GENTE SE VÊ NO ÚLTIMO PARÁGRAFO?? SAUDADES...)
Essa política cambial foi decorrente de duas outras criadas em conjunto com o plano Real (quem quiser falar do FHC deixa um comentário, meu texto não abordará gestão federal): a primeira foi em 94, a famosa "paridade" de um por um (época mais feliz da classe média, que finalmente conseguiu tirar foto ao lado do Mickey... eu não tenho foto com o Mickey, só com o Cascão...); depois, 95, veio o "sistema de bandas", em que o dólar oscilava dentro de uma faixa pré-determinada (o que resultou em minidesvalorizações que culminaram em inúmeras dívidas externas e acordos com o FMI), e, desde 99, estamos com um câmbio flutuante, influenciado pela oferta e demanda do mercado internacional.
Quando Lula assumiu, o dolár custava R$3,99 (essa desvalorização do Real foi gerada pelo clima de insegurança e especulação que um líder populista, e até pouco tempo defensor da moratória - calote ao Banco Mundial - incitava, mas Pedro Malan pareceu prever o futuro, e, assim, completou-se Zaratrusta).
Porém, desde 2004, o dólar começou a cair... cair... e caiu... Hoje, custa R$1,96 e pode ser encontrado na loja de R$1,99 mais próxima de sua casa. E a pergunta é: Por que o dólar caiu?
Se há maior oferta que demanda no mercado, os preços dos produtos caem, o mesmo ocorre com as moedas. No Brasil, há mais dólar entrando, do que saindo. Entra, principalmente, pela exportação (e nossos eternos recordes de commodities), pelo investimento estrangeiro direto (investimento em empresas e multinacionais), investimento estrangeiro financeiro (em ações e títulos, sim, os gringos dominam as ações de... adivinha?! soja, mineradoras, gado) e turismo. E sai quando o Brasil vira o agente dos exemplos acima.
E é bom estar nessa situação? É para os importadores e consumidores, com um poder de compra maior e redução de preço em tecnologias e alimentos industrializados, além de facilitar a compra de maquinário para investimento interno. Péssimo para setores que utilizam mão-de-obra e têm os preços taxados por leilões comparativos (a palavra começa com "commo" e termina... termina?)
Bom, o assunto já saturou, né? OLHA AQUI = RESUMÃO: se o país têm BONS indicadores e é confiável, há mais OFERTA que demanda de dólar, o que faz o dólar CAIR, o real SUBIR, a inflação CAIR (olha a montanha russa), o poder de compra CRESCER, importação AUMENTAR e a indústria nacional (caso não haja amparo fiscal, nem redução da carga tributária) CAIR, causando DESEMPREGO, que será um MAU indicador, que fará a DEMANDA crescer mais que a oferta, o dolár vai SUBIR, o real DESCER, a inflação SUBIR (tô enjoada, esse looping é f...), o poder de compra DIMINUIR, a exportação CRESCER, e a indústria nacional SUBIR, e lá vamos nós de novo...
E pra fechar com chave de ouro, uma frase do nosso Presidente: "Não tem milagres. O governo fará a sua parte, mas não haverá mágica". E, por acaso, alguém ainda acredita em "milagre econômico" no Brasil?
Vica Prestes escreve sempre às segundas-feiras, e está pensando em juntar moedinhas para ir ao banco trocar por uma verdinha...



15 comentários:
LETTE TIETEEEEE!!!!
Olha eu aqui, xuxuuu! hahahahahah
Mew, só vc conseguiu nos meus quase 20 anos (falta 1 semana, hein?) ler um texto inteiro sobre economia e a alta e baixa do dólar E GOSTAR!!!
Mandou muito!
Agora to pensando seriamente em trocar meu salário por dólar ou levar meu porquinho numa casa de câmbio. Que tal?!
Beijo!
Bem, digamos que o texto foi esclarecedor. Um pouco longo quando se olha, curto quando se lê, a gente fica querendo mais das brincadeiras, das explicações ou coisas que não entendemos.
A maneira de se escrever é mais simples que os economistas chatos (com matérias chatas, mães chatas, tios chatos, cães chatos, pés chatos e tudo o mais), me abriu os olhos (não que eu estivesse muito interessado, sou um alienado orgulhoso da minha posição filosófica e poética submissa (?)), mas algumas coisas ainda ficam obscuras. Proponho à essa gaúcha querida que posta às segundas (assim como eu, só que eu posto mais tarde e em outro blog - merchan: http://pensologoeescrevo.blogspot.com) que faça uma série - como as do Fantástico rsrsrs - sobre as expressões econômicas.
Por mim você começa com commodities, ou começa a fazer textos mais literários que tb adoro.
Beijos, gaúcha
oooooo, florzinha do mato... fica tristinha não, a fila anda... mas prestenção: se cada vez que você ficar desse jeito for escrever sobre economia, daqui a pouco você tará sendo chamada pra palestrar na FEA... cruz credo, nem você merece isso... falando nisso, quanto eu devo por você ter feito meu imposto de renda?
Pensei que não escrevia mais aqui. Acabei de ver no Estadão que a cotação do dólar está em R$1,93. O dólar, em um dia, perdeu 3 centavos. Isso até que é muito, não é?
Beijos.
Fala sério, você deve ser daquelas menininhas que só porque o papai tem dinheiro e tem vergonha de torneiro mecânico e vota no Grande FHC, acha que tem o direito de ser a reacionária da pátria.
Evolua, minha filha, evolua.
palestras. acho que vai chegar num ponto que você, assim como o Cortella, vai viver de palestras.
parece bom, não?
Muito interessante este blog
Voltarei mais vezes
Acertou nas questões técnicas e deixou a desejar na parte cômica. Tem certeza de que ainda pretende juntar texto econômico com esse q literário? Não parece funcionar. O que me impressiona é a forma como as pessoas te elogiam por isso. Ou são amigos comprados ou elogios falsos, só rasgação de seda.
Boa sorte com esse lote de amizades que incentivam a mediocridade. Pelo menos dessa vez não criticou trabalhadores honestos, cuidado para não liberar todas suas idéias e dizer que concorda com o Serra em relação à ocupação da USP.
PS: Ao seu "amigo" rds: agressões pessoais não criam discussões de qualidade
Em homenagem ao anônimo, vim aqui exigir meu pagamento, pq mais uma vez vou elogiar seu texto...
Por favor gaúcha, me pague, pode ser em dólar mesmo, que eu guardo pra depois, nunca vi o mickey em mais de 20 anos, posso esperar mais um pouco...
Vica, mto bom seu texto (500 dolares pelo elogio)
ele está claro (mais 100)
esclarecedor( mais 200)
com uma ótima pitada de sarcasmo (mais 300)
e assim continuarão seus próximos textos (mais 1000 pela previsão positiva)
Amizade???
bom a minha tá cara viu, apesar q o dolar tá baratinho, nem vai pesar pra vc...
P.s. Quero agradecer o anômimo, pq ele me abriu os olhos...
ANÔNIMO para presidente, assim seus amigos te pagarão para ser sincero.
contabilizando...
quanto eu devo pra ti, anônimo? deposito na tua conta? passa os dados que até sexta eu mando por fax o comprovante, combinado? ah, pra quem eu tô devendo, sexta-feira eu desconto no poquêr... rsrsrs
Ai, que tontura na montanha russa!
Tá meio tarde, mas vai que alguém lê: eu convido o anônimo a escrever um texto para o paranóia. O e-mail para enviar o texto tá na página. Como é bom para criticar, deve ter outras qualidades.
Quer nos mostrar um pouco delas? :)
Vi uns e outros comentários; pulei a maioria porque o texto tava mais legal. (Não quero ofender nenhum comentador, pelo-amor-de-Deus, só que se a maioria elogiou, acho que deve de uma forma e de outra concordar comigo, né? :p e eu não pretendo superar ninguém aqui também - como comentador).
Faço um monte de ressalvas porque agora tô sem saco de - como a Vica adooora fazer, hahaha - soltar palavrinhas espoletas que sempre despertam a inveja de alguém e que desencadeiam um picadeiro que sinceramente penso não combinar com o grandeur deste blog.
Ou seja o sono, mesmo, sei lá. De qualquer forma; o texto tá muito bão, gostei mesmo, mas só acrescento que o mal da economia é que por mais que a gente saiba, a gente não ganha controle. Vai ver é humana demais, hehehe.
Sinceramente, crise por crise, tenho vontade de ver, pelo menos um pouquinho, uma crise com poder de compra do cidadão brasileiro. Até porque, aparentemente (advérbio importante, penso eu, para a maior parte da ciência econômica), a queda da indústria não têm mais tanto impacto social com o crescimento do setor de serviços... aaahn...
ahn... 1971? Mas aconteceu algo antes em Breton Woods, não? :p O Roosevelt tava até vivo ainda, acho...
Abraços! Parabéns!
Passei só para dizer um oi. Ainda posso dizer oi? Muito bom o texto, como sempre foi, e será.
Me fazes rir. Oh, pobre criatura!
Demorei mas aqui estou!!!
Não sou falsa então também quero minha grana!!
Vica, preço de banana? Mas a banana lá fora é cara há há!!
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